Vencedor do Pulitzer, poesia de Júlio Pomar e Paul McCartney: os livros que vão marcar o mês de Novembro

O romance vencedor do Pulitzer deste ano, um manifesto de James Baldwin contra a discriminação, a autobiografia de Angela Davis, poesia inédita de Júlio Pomar e um álbum documental dos Beatles, por Paul McCartney, são algumas novidades de novembro.

Entre os livros que chegam às livrarias no próximo mês conta-se “Demon Copperhead”, de Barbara Kingsolver, vencedor do Prémio Pulitzer de ficção e do Women’s Prize for Fiction, que recria o “David Copperfield”, de Charles Dickens, através de um rapaz que cresce nas montanhas pobres dos Apalaches, na Virgínia, numa edição da Suma de Letras.

Igualmente do grupo Penguin Random House Portugal, mas na chancela Alfaguara, vai sair “Da próxima vez, o fogo”, de James Baldwin, nas vésperas do seu centenário, uma carta ao mundo, que é um manifesto contra todo o tipo de discriminação.

Pela mesma chancela, chega mais um livro de Charles Bukowski, “As matemáticas da escrita”, sobre a difícil arte da escrita e a ainda mais difícil arte de viver da escrita, e na Companhia das Letras será publicado um novo romance de João Tordo, “O nome que a cidade esqueceu”, o seu 20.º livro em 20 anos, que marca o regresso do autor a Nova Iorque, cidade onde tudo começou.

Novembro marca também a chegada do segundo volume da “Septologia” do norueguês Jon Fosse, recentíssimo Prémio Nobel da Literatura, intitulado “O eu é um outro”, editado pela Cavalo de Ferro, chancela que vai também publicar uma novela gráfica que adapta a obra “Tamanhas eram as alegrias”, de George Orwell, em que o autor descreve os seus anos de formação, narra as injustiças e iniquidades que sofreu, enquanto tece uma implacável crítica ao sistema de ensino da altura.

A Iguana vai publicar “A espera”, de Keum Suk Gendry-Kim, uma novela gráfica coreana, que aborda as consequências da guerra da Coreia de 1950, que separou famílias inteiras, trazendo testemunhos do trauma de toda uma geração de coreanos que continuam à espera de um reencontro.

Outras novidades literárias da Penguin para o próximo mês são a publicação de “Nunca Jamais”, romance da autora líder de vendas Colleen Hoover, na Topseller, e “Meditações”, de Marco Aurélio, um dos clássicos mais lidos de sempre, agora na coleção Penguin Clássicos.

O grupo Almedina destaca, nas Edições 70, a publicação de “100 dos Melhores Planos do Cinema – 100 Autores, 100 Planos”, de Nelson Araújo, uma viagem pela história e a linguagem do cinema através de uma centena de planos icónicos, e a obra de filosofia política de Pierre-Joseph Proudhon “Que é a Propriedade? – ou investigações sobre o princípio do Direito e do Governo”, considerada a “Bíblia” do anarquismo.

Na área da ficção, a chancela Minotauro publicará “A Velha Senhora Webster”, de Caroline Blackwood, romance nomeado para o Prémio Booker, “A Mansão Minúscula de Myra Malone”, de Audrey Burges, e “Vingativo”, de V. E. Schwab, sequela de “Vicioso”.

Entre os destaques da Editorial Presença para o mês de novembro, inclui-se a publicação de um novo romance da autora francesa Valérie Perrin, “Os esquecidos de domingo”, bem como do esperado “Ao Paraíso”, de Hanya Yanagihara (autora de “Uma pequena vida”), que aqui atravessa três séculos, mostrando três versões da identidade norte-americana. A juntar a esta obra, a chancela destaca ainda o recém publicado “Noites de Peste”, de Orhan Pamuk, autor vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 2006.

A Dom Quixote vai lançar “Tasmânia”, de Paolo Giordano, considerado o melhor livro publicado em Itália em 2022, um romance que aborda o tema do apocalipse em todas as suas nuances: as alterações climáticas, o terrorismo religioso, a cultura do cancelamento, a fragilidade da amizade, os casamentos desfeitos e a paternidade falhada.

A editora destaca também a publicação de “Antes Que Me Esqueça”, livro de crónicas de Francisco Seixas da Costa, que atravessam os seus 38 anos de atividade diplomática, testemunho de várias experiências internacionais, pelas quais passaram figuras como Oscar Niemeyer, Jean-Marie Le Pen, Charles Aznavour, Lech Walesa, Mikhail Gorbachev, Yasser Arafat, Sergey Lavrov, Jacques Chirac, Pelé, Salman Rushdie, Sérgio Vieira de Melo, Ariel Sharon, Joseph Stiglitz ou Leonardo Padura.

“Censura, o Lápis Azul do Silêncio” é uma das propostas da Guerra e Paz, obra organizada por Ana Aranha, com 20 entrevistas a quem sofreu nos textos os riscos azuis do lápis censório da ditadura, como é o caso de Adelino Gomes e Sérgio Godinho.

A editora lança também “Histórias de Jazz”, de Leonel R. Santos, com ilustração de Nuno Saraiva na capa, um livro que conta 13 histórias “inverosímeis” envolvendo sempre “um grande músico ou um inesquecível tema”.

A terminar o ano, a Porto Editora lança “1964: Olhos da Tempestade”, uma obra com 275 fotografias inéditas, resgatadas do acervo privado de Paul McCartney, que documentam, pelo próprio olhar do músico, a digressão dos Beatles por seis cidades europeias e norte-americanas.

A Assírio & Alvim edita “Prima Contradição”, livro inédito de Júlio Pomar, a partir de um espólio de milhares de poemas, alguns concebidos como letras de fados, deixado pelo artista plástico, numa edição organizada por José Alberto Oliveira e José António Oliveira.

Na mesma chancela será publicada toda a obra poética de Pedro Homem de Mello, em dois volumes, com o título “Poemas 1934-1961”, bem como uma antologia inédita de textos, desde o século XII até ao século XX, ‘re-imaginados’ pelo génio surrealista de Mário Cesariny, intitulada “Poetas do Amor, da Revolta e da Náusea + Poesia de Mário Cesariny: antologia”.

Preparado logo após o 25 de Abril de 1974, este projeto de Cesariny começou por ser um espetáculo de teatro, mais tarde reformulado como uma série de filmes para televisão, desejo nunca concretizado, que engloba prosa, poemas e peças de teatro, convocando nomes como Camões, Mariana Alcoforado, Bocage e Natália Correia, entre outros autores.

Junta-se a “Poesia de Mário Cesariny: antologia”, no ano do centenário do autor, que revisita toda a obra do grande poeta surrealista, pensada por Fernando Cabral Martins.

A Antígona tem previsto publicar “Autodefesa. Uma filosofia da violência”, de Elsa Dorlin, um ensaio político da autodefesa e a sua genealogia, seguido de “Carta aos Reis Magos”, de Fernando Arrabal, fundador do Grupo Pânico e mestre patafísico, autor de epístolas satíricas como “Carta ao General Franco” e “Carta a Fidel Castro”.

Outros destaques da editora são “Uma autobiografia” de Angela Davis, ativista e professora da Universidade da Califórnia, com prefácio da autora à edição norte-americana mais recente, publicada em 2022, e uma coletânea de poemas de Lawrence Ferlinghetti, intitulada “Uma manta rota da mente”, uma “obra maior da Geração Beat”.

Entre as novidades da Bertrand, incluem-se os romances “A Porta dos Traidores”, de Jeffrey Archer, “O Confronto”, de John Grisham, “Holly”, de Stephen King, e “Alguém Falou sobre Nós”, de Irene Vallejo.

Na Quetzal vão ser publicados a “Poesia Completa”, de Roberto Bolaño, e “A Mesa de Deus”, de Maria Lecticia Monteiro Cavalcanti, um livro que propõe uma releitura da Bíblia anotando todas as referências sobre os alimentos, a cozinha, a refeição, o prazer e a dádiva da comida, estudando os hábitos alimentares no Antigo e no Novo Testamento.

Outro destaque da Quetzal é a publicação de “Horácio. Poesia Completa”, a versão definitiva em português, traduzida e comentada por Frederico Lourenço, numa edição bilingue. Esta é a primeira edição completa de Horácio a ser publicada em Portugal desde o século XVII.