MAP anuncia conferência de abertura para o dia 4 de Maio

Diz-se que cada palavra vale mil imagens. Mas será que cada imagem vale mil palavras? A resposta é: não. Cada palavra vale o que significa e a leitura que, enquanto indivíduos, fazemos dela. São mais de mil as interpretações possíveis. Palavras são palavras, têm o seu significado e a sua etimologia. As palavras trazem consigo a história que as trouxe até aqui. Renegar palavras porque uma leitura actual nos proíbe de as contextualizar é o mesmo erro do que queimar ou corrigir os livros em que essas palavras foram escritas. Devemos procurar o contexto e, nunca, só a palavra. Todos sabem que a palavra se insere num contexto. Chama-se hermenêutica, leia-se: interpretação. Será que nos está vedada a escrita ou a verbalização das palavras só porque não se atende à contextualização? Será que hoje podemos enunciar palavras contextualizadas sem que uma nova fogueira, em nome do “politicamente correcto”, nos proíba de serem enunciadas?

Como enunciar palavras sem pedir perdão, num tempo em que o chamado politicamente correcto parece corresponder a uma ortodoxia? Quais as vantagens, os prejuízos, as ameaças, os limites?

Com o título citando um verso de Philip Larkin, esta é uma conferência em que vários olhares tentarão dizer como é viver nestes dias onde só podemos viver. A melhor abertura para a fase principal do MAP – Mostra de Artes da Palavra, com Ana Bacalhau, Jorge Barreto Xavier, Luaty Beirão, Nicolau Santos, Selma Uamusse e moderação de Nuno Miguel Guedes. A entrada é livre mediante inscrição, que pode ser feita no formulário abaixo.