José Camilo: “Gostava de ser escritor de canções para intérpretes que precisem delas”

Em jeito de antecipação da apresentação da Colecção Batimento no Auditório Ruy de Carvalho, falámos com os protagonistas da tarde de 6 de Março sobre o seu trabalho, as suas influências e o que têm lido e ouvido nos últimos tempos.

A Palavra: Quando e como é que surgiu este projecto?
José Camilo: Para além de canções, eu tenho escrito outras coisas quer em poesia quer em prosa. Já há algum tempo que andava para publicar um livro de poesia, mas metiam-se sempre coisas pelo meio e acabava por adiar. Quando decidi, finalmente, avançar para a publicação pensei que gostava de ter algum suporte musical para complementar o livro. Escolhi dez dos cinquenta poemas para que se fizesse uma base musical que eu pudesse usar para dizer os poemas “por cima”. Apesar de também ser compositor, não queria ser eu a compor as bases porque não queria estar limitado aos meus vícios, queria procurar outro universo. A Cláudia Correia toca comigo nos meus concertos rock, é teclista e tem sensibilidade para a música electrónica., convidei-a para fazer a composição e ela aceitou.

A Palavra: O que vem primeiro: as letras ou a música?
José Camilo: Neste caso, o que veio primeiro foram os poemas porque tudo partiu do livro, no entanto, quando componho sozinho, pode variar.

A Palavra: O que podemos esperar dos vossos concertos ao vivo?
José Camilo: Muita electrónica e energia. Não queríamos ficar limitados pelo facto de ser um concerto de spoken word e preparámos um espectáculo em que não me limito a ficar parado a ler poemas, vou dançando com os beats que a Cláudia Correia vai fazendo.

A Palavra: Quem é o poeta com que gostavam de colaborar? E o músico?
José Camilo: Sinceramente, para colaborar com algum poeta teria que ser algo que me motive bastante e não estou a ver isso acontecer num horizonte próximo. Já no caso dos músicos, gostava de escrever canções de diferentes estilos, do fado à pop, mas para outros intérpretes cantarem. Gostava de ser escritor de canções para intérpretes que precisem delas.

A Palavra: Têm alguma recomendação musical e/ou literária que gostassem de fazer?
José Camilo: Vou recomendar o que estive a ouvir ontem e o que estou a ler neste momento.
Baleia Baleia Baleia – Suicídio Comercial: os Baleia Baleia Baleia são um duo de rock compostos por baixo e bateria, mas não precisam de mais nada para fazer um barulho dos diabos. Letras simples em português, um baixo delirante e uma produção bem conseguida. Em livro, recomendo que leiam o The Mystical Roots of Genius do Harry Freedman. Trata-se de ensaios em que o autor analisa algumas letras do Leonard Cohen do ponto de vista espiritual e religioso. É sabido que o Cohen era judeu, mas não se fica por aqui. Pode-se encontrar inúmeras referências ao cristianismo.