A Torre de Babel de André Carvalho

“Traduzir o intraduzível através de música que escrevi para o meu novo trio.” É desta forma que o contrabaixista André Carvalho descreve “Lost In Translation”, uma colecção de 12 temas que dão um (novo) significado a palavras como Karelu, Kilig, Wabi-Sabi ou Uitwaaien.

Inspirado pelo mundo das palavras intraduzíveis, André idealizou um disco inspirado em palavras de mais de dez línguas – algumas algo obscuras como o wagiman, atualmente falada por apenas 2 pessoas no mundo. “Não só queria escrever música inspirada neste universo tão peculiar como também usar uma instrumentação diferente da que usei nos meus anteriores álbuns. Paralelamente, idealizava um grupo sem bateria, onde o espaço e o respeito pelo silêncio fosse uma constante”, disse o músico em entrevista ao Gerador.

Deste disco fazem parte palavras que não têm uma tradução direta na língua de Camões. Como por exemplo a palavra japonesa Wabi-Sabi, que significa aceitar a imperfeição, a irregularidade e a modéstia como atributos de beleza, vendo assim o belo nas coisas imperfeitas e incompletas. Ou ainda Uitwaaien, que significa “sair para passear num dia ventoso, com o intuito de espairecer e relaxar a cabeça”.

“Lost In Translation” sucede assim a “Garden of Earthly Delights”, disco inspirado no famoso quadro homónimo de Hieronymus Bosch, e conta com o saxofonista José Soares e o guitarrista André Matos, além do jovem trompetista João Almeida em alguns temas.

O álbum “Lost in Translation” saiu no dia 15 de outubro, pela editora americana Outside in Music, e pode ser escutado no bandcamp oficial do músico.