Tó Trips: “Sem liberdade não há riscos nem avanços”

Tó Trips é um dos nomes mais reconhecidos no panorama musical português. Fundador de bandas incontornáveis como Lulu Blind, Dead Combo ou Club Makumba, o guitarrista deixou agora a sua marca no disco “Os Surrealistas”, onde empresta a sua forma tão única de tocar ao tema “A Cidade Oculta”. Foi com essa participação em mente que estivemos à conversa com Tó Trips, numa pequena entrevista que pode ler agora.

A Palavra: Identifica-se com o conceito de surrealismo?
Tó Trips: Desde muito novo que sempre fui fã de artistas surrealistas, tenho em casa o “Manifesto Surrealista” do André Breton, o Mário Cesariny era meu vizinho e eu era um puto, na altura amigo da irmã dele! Jantei uma vez com ele, a irmã e o Hermínio Monteiro da Assírio e Alvim no restaurante 1º de Maio no velho Bairro Alto.

A Palavra: Como funcionou o processo de composição para a sua participação em “A Cidade Oculta”?
Tó Trips: Foi relativamente fácil, já tinha um briefing do meu amigo Alex Cortez e ele deu-me a liberdade que estas coisas necessitam para correr bem comigo. Sem liberdade não há riscos nem avanços!

A Palavra: Houve alguma motivação especial para trabalhar com a Lisbon Poetry Orchestra neste disco?
Tó Trips: Sim, foi um convite do meu amigo de longa data Alex Cortez, que é meu vizinho e companheiro de muitas noites dessa Lisboa de outros tempos! E também porque é um grupo de pessoas que integram a LPO e que eu admiro.

A Palavra: Quem é o artista surrealista (vivo ou morto) a quem gostava de dedicar uma música?
Tó Trips: Vários, entre eles o Mário Cesariny e o Antonin Artaud.