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Primeira Bienal de Poesia de Oeiras dedicada ao “Poder e democracia”

Mais de 100 convidados oriundos de três continentes integram a 1ª Bienal de Poesia de Oeiras. O evento insere-se na candidatura de Oeiras a Capital Europeia da Cultura 2027 e conta com a participação de personalidades como o Prémio Nobel da Literatura peruano Mário Vargas Llosa, Nuno Júdice, Frederico Lourenço, Simone de Oliveira, Samuel Úria, Miguel Araújo, António Zambujo, Sérgio Godinho ou Capicua, entre outros.

Segundo a organização, este festival é de entrada livre e “trata da obra poética, nas suas mais variadas formas: da tradição popular à produção erudita, da transmissão oral à editada em papel, da palavra cantada à palavra filmada”.

O primeiro dia conta com uma sessão inaugural intitulada “O que é uma Capital da Poesia”, que terá como participantes o poeta e ensaísta brasileiro António Carlos Secchin (por videoconferência), Filipe Leal, João Bonifácio Serra e Jorge Barreto Xavier, seguida de uma conversa-concerto com Nando Reis.

O dia 17 terá a participação, por videoconferência, do escritor peruano Mário Vargas Llosa, numa sessão exclusiva para alunos do município, subordinada ao tema “poesia, poder e democracia”.

Também no mesmo dia, o escritor polaco Michal Rusinek conduz a ‘masterclass’ “Wisława Szymborska: Fim e começo”, a que se segue uma conversa-concerto com Simone de Oliveira e um ‘showcase’ baseado na obra de Miguel Torga, com interpretação do quinteto Orfeu Rebelde.

O dia seguinte abre espaço para a oficina “Na intimidade do poema”, com Sonia Barba, diretora do Poetry Brothel (projeto internacional que junta poesia e burlesco) em Barcelona, Madrid e Valência, seguido de uma ‘masterclass’ de Jorge Valdés Díaz-Vélez, subordinada ao tema “A Poesia como instrumento de relação”, e, finalmente, uma conversa-concerto com Miguel Araújo.

No dia 19, há “revoluções poéticas” com Nina Rizzi, intituladas “Poesia ao poder”, uma conversa-concerto com Samuel Úria e uma performance imersiva em que o público é convidado a participar, a cargo do The Poetry Brothel.

No sábado são várias as sessões previstas, entre as quais conversas de Álvaro Guillama, Nuno Júdice e Rafael Courtoisie sobre “Poesia não é ornamento é um poder simbólico”, e de António Carlos Cortez, Elisa Lucinda e Amália Bautista sobre “A poesia mete medo”, o lançamento de “Memórias, aparições, arritmias”, de Yara Nakahanda Monteiro, ou os espetáculos “Poesia do avesso”, com Elisa Lucinda, e “A Voz Humana”, com Patrícia Andrade e Fernando Matias, uma mistura de teatro com instalação e concerto. 

No mesmo dia será proferida uma conferência por José Ramos Horta, ex-presidente da República Democrática de Timor-Leste e Prémio Nobel da Paz, em videoconferência, subordinada ao tema “Revoluções poéticas. A justiça faz-se por construção nossa”. Pelas 22h30, os Conferência Inferno apresentam Ata Saturna no Edifício Atrium.

No encerramento do festival, Fernando Ribeiro vai ler poesia (própria e inédita) ao som do improviso da guitarra elétrica de Miguel Fonseca, ao mesmo que decorre noutro espaço uma sessão com o poeta canadiano, produtor de vídeo, e pioneiro no campo da videopoesia Tom Konyves.

Nesse dia haverá ainda duas apresentações: do livro “Bucólicas”, com Frederico Lourenço, tradutor para português desta obra de Vergílio, e de “A canção de protesto”, pela rapper Capicua e o músico Sérgio Godinho.

A entremear estas duas apresentações, está prevista uma conversa-concerto com António Zambujo.

Durante os seis dias que dura a Bienal de Poesia, decorrem em permanência uma homenagem a Tom Konyves, uma retrospetiva do seu trabalho na área da videopoesia, acompanhada por um realizador português com um universo semelhante; uma instalação que junta poesia e novas tecnologias, com diversos convidados; e uma exposição intitulada “O poema escondido”, que convida ilustradores a selecionar palavras a partir de páginas de livros e jornais, e a ilustrar a página de forma a construir um poema.