Maria Giulia Pinheiro apresenta “Alteridade” na Biblioteca Municipal de Alcântara

No dia 11 de novembro, a Biblioteca de Alcântara recebe Maria Giulia Pinheiro (que este ano passou pelo MAP a propósito do espectáculo “Reconstituição da República”) e Gonçalo Antunes para “Alteridade”, performance em que uma Mulher narra metaforicamente a violação que sofreu e passa, camada a camada, pela sociedade que produz e normaliza a dominação sobre as mulheres.

O solo de spoken word com vídeo arte de Muriel Curi e intervenções sonoras de Gonçalo Antunes fricciona os limites entre o teatro, a poesia e a música. O texto surgiu em 2012 e parte de uma pesquisa estética elaborada por Maria Giulia Pinheiro sobre dramaturgia feminista. Foi neste ano que a artista criou um núcleo autônomo de pesquisa na área, o que veio a tornar-se o Núcleo de Dramaturgia Feminista anos mais tarde. O espetáculo já foi encenado em São Paulo e Lisboa, passando também pelo Festival Lisboa Criola em 2022.

Segundo Maria Giulia, sua inspiração maior para contar essa história foi a percepção do quanto a violação está normalizada na cultura contemporânea, sendo narrada à exaustão em filmes e livros, geralmente na perspectiva masculina.

A apresentação de “Alteridade” está marcada para o dia 11 de Novembro, às 21h00, na Biblioteca Municipal de Alcântara. Os bilhetes têm o preço de 8 euros e podem ser reservados através do email todomundoslam@gmail.com.

Sinopse:

Durante sete unidades dramáticas denominadas “círculos”, a personagem deste poema-dramaturgia, narra a violência a que foi submetida, a tentativa de se restabelecer, a notícia da gravidez, a opção do aborto, a culpa, a ilegalidade de escolher, a dissociação entre lei e corpo e o rompimento com a velha mitologia patriarcal. A voz dessa mulher perpassa as diversas camadas da Sociedade do Estupro e vai, pelo arquétipo de Alteridade, encontrando aberturas para a reconstrução de si.