Festival Doclisboa 2023 começa hoje

O Doclisboa’23 decorre entre 19 e 29 de outubro nas salas habituais do festival: Culturgest, Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema e Cinema Ideal. A programação conta com 250 filmes de 42 países, entre eles 35 estreias mundiais e 39 filmes portugueses. A abertura do DocLisboa será com o filme “Man in Black”, de Wang Bing, sobre o compositor e dissidente chinês Wang Xilin, de 86 anos, que foi convidado a estar em Lisboa.

A competição portuguesa conta com nove filmes, a maioria em estreia mundial, entre os quais “Clandestina”, documentário de Maria Mire sobre a escritora, professora e resistente antifascista Margarida Tengarrinha, e “Fogo no Lodo”, de Catarina Laranjeiro e Daniel Barroca, sobre Unal, “uma aldeia de produtores de arroz que foram os primeiros a envolver-se na revolta armada contra o colonialismo português na Guiné-Bissau”.

A extensa programação do festival que prossegue até dia 29 é atravessada por outros retratos documentais, como “Verdade ou consequência?”, de Sofia Marques, sobre o encenador Luis Miguel Cintra, “Ospina Cali Colômbia”, de Jorge de Carvalho, que recupera um encontro com o cineasta Luis Ospina em Lisboa, e “Big Bang Henda”, de Fernanda Polacow, sobre o artista angolano Kiluanji Kia Henda.

O festival vai incluir também uma retrospetiva sobre cinema produzido nos Estados Unidos nos anos de 1930, nos anos de recuperação da “grande depressão” da economia americana. É o retrato de uma época em que “uma aliança de cineastas radicais lutou para criar um novo género de documentário social”, com filmes de realizadores como Joris Ivens, Paul Strand, Pare Lorentz e Elia Kazan, explica a organização.

O DocLisboa contará ainda com, entre outros, “Theater of Thought”, de Werner Herzog, “Menus Plaisirs — Les Troisgros”, de Frederick Wiseman, “Portrait of Gina”, um filme-piloto de Orson Welles sobre a atriz Gina Lollobrigida, e “Viva Varda!”, de Pierre-Henri Gibert, sobre a realizadora belga Agnès Varda.

Destaque ainda para o filme luso-brasileiro “Diário de um crime”, de Pavel Tavares: “O que é um documentário (um documento sobre a realidade) para alguém sem documentos? O filme grita o absurdo da burocracia”, refere a sinopse.

Entre as atividades paralelas ao festival, está previsto um debate sobre novas perspetivas para a coprodução entre Portugal e os países africanos de língua oficial portuguesa.

A 21ª edição do DocLisboa encerrará com “Baan”, a primeira longa-metragem de ficção de Leonor Teles.